20 outubro 2010

Ajuda de Berço

Vi uma reportagem na SIC sobre as dificuldades financeiras da Associação Ajuda de Berço e fiquei a fazer contas de cabeça e de máquina na mão.
Segundo esta a Ajuda de Berço gasta 1 000 000€ por ano para acolher 40 crianças. Pelas minhas contas rápidas dá 2083€ por criança/mês. Isto não é economicamente sustentável em lugar nenhum do mundo. De boas intenções está o inferno cheio... fazer caridade com o dinheiro (a rodo) dos outros é muito fácil, fácil demais. Todas as instituições têm que ser geridas com cabeça e coração.

Acho que os jornalistas devia investigar a fundo as contas desta instituição. Não é possível pedir dinheiro a privados e ao estado (ajudas estas pagas com os meus impostos) para depois se gerir duma forma absolutamente desrespeitosa para com os doadores.


O que daria eu aos meus 4 filhos se tivesse esse dinheiro disponível ( 4*2.083=11.332€)?

15 comentários:

Costinhas disse...

Eu não vi essa reportagem de que falas mas li uma outra e lembro-me de ter ficado incomodada com certos números.

É certo que eles têm de pagar às pessoas que ali trabalham (um dos números que me pareceu demasiado alto, mas enfim) e têm gente 24 horas por dia, sete dias por semana, mas...

Na altura lembro-me de ralhar comigo mesma por ter pensado que podiam fazer uma melhor gestão do dinheiro que tinham, pois não tenho outra forma de informação sobre a dita instituição se não o que vem escrito justamente nas notícias, e nós bem sabemos, como por vezes são tão pouco exactas. mas se calhar...

Rosa Pomar disse...

Obrigada por este post! Por mim, nunca mais consegui olhar para esta instituição da mesma forma desde que se envolveu activamente na campanha contra a legalização da IVG...

Eva Lima disse...

Rosa,
já não me lembrava dessa!

Costinhas disse...

Nem eu...

Mamã Martinho disse...

Bolas isso é mesmo descomunal!
Bjs

Mónica

Rita Múrias disse...

Que bom que se fala nisto!

Ana Sofia Santos disse...

mas algumas das pessoas que trabalha na instituição não é por regime voluntariado? não recebendo nada?

Ana Sofia Santos disse...

* era trabalham

Margarida e Girassol disse...

Ola',

Esses numeros sao ridiculos. Quando o Estado paga o que? Uns 500 Euros/mes a uma familia de acolhimento para tomar conta de uma crianca.
Fazia muito mais sentido fechar a instituicao e colocar as criancas em familias de acolhimento.
E' que ha' cada uma...

Isabel disse...

Margarida e Girassol


pense um bocadinho, pf leia

http://coisaspoucas.blogspot.com/search?q=fam%C3%ADlias+de+acolhimento


e


http://coisaspoucas.blogspot.com/2010/10/contas-de-mercearia.html

Rosa Pomar disse...

Isabel, continuo a concordar totalmente com o post da Eva. Gostava muito de saber se os números da reportagem estão mesmo certos e de ver a associação explicar isto melhor...

Isabel disse...

Porque é que não haviam de estar, Rosa?

Pandora disse...

Não vi a reportagem, mas vi uma outra em que se afirma que um bebe que seja abandonado numa maternidade tem de ser rápidamente levado para uma instituição porque custa cerca de 300€/dia.

Joana disse...

Tendo em conta os ordenados das pessoas, para serem dignos (e não sei se são) e para terem a quantidade de pessoal adequado (alimentação, educação, limpeza, transporte, administração), cerca de 2000€/criança*mes não me parece demasiado.

pin girl disse...

Já vem tarde o comentário...mas concordo com a Eva: a gestão de - e a ajuda a! - uma instituição deste género tem de ser economicamente sustentável.
Fiz voluntariado durante algum tempo numa IPSS que tem diversas estruturas de apoio a crianças, designadamente infantário e atl, embora não acolha crianças nos exactos moldes da instituição referida, e uma das preocupações era precisamente essa. Especialmente em função da necessidade de gerir recursos escassos e de acordo com o princípio do máximo aproveitamento possível. Sob pena de se desvirtuar o sentido com que tais contribuições foram dadas, digo eu... Como é lógico, os orçamentos não andavam nem sequer perto do divulgado na peça jornalística...e era feito um óptimo trabalho e prestado um belíssimo serviço.

No que respeita ao direito de exigir às entidades públicas que resolvam os casos das crianças no mais breve prazo possível, o meu humilde contributo é dizer-vos que eu, fazendo parte desse sistema, tento lembrar-me disso todos os dias e exigir isso de mim própria de cada vez que tenho um caso desses.
E nem sempre é fácil: nem a rapidez nem a decisão, acreditem...