09 setembro 2005

Política do livro escolar

Os telejornais das tv´s portuguesas noticiam por épocas. Há a época do Natal, dos incêndios...dos livros escolares.
Neste país só se fala do escandaloso tema do manual escolar imediatamente antes do início do ano lectivo.
Por mim devia falar-se do assunto todo o ano. Eu falo. Falo num país de surdos.
Além do problema do preço, há a sua qualidade (pedagógica e científica), a sua mudança de 3 em 3 anos, inspiração de maus hábitos (escrever nos manuais, por ex.), etc, etc.

Não seria normal poderem passar duns irmãos para outros?
Não seria normal haver uma bolsa de livros nas escolas para empréstimo?
Não seria possível os livros duma mesma disciplina, não se dividirem em 3 tomos, para o preço triplicar?
Não seria possível os manuais estarem em vigor mais que 3 anos?
Não seria possível não incentivar os alunos a escrever nos manuais? Educando-os a estimar o livro?

Tudo isto é possível num país com o desenvolvimento económico como a Alemanha, não em Portugal!

Com os meus 4 filhos a frequentarem quatro níveis diferentes de ensino, o mês de Setembro apresenta-se sempre como Setembro Negro.
(Felizmente o mais pequeno ainda não precisa de manuais no pré-escolar, apenas de material perecível).

10 comentários:

TMara disse...

Podia e...devia. Nos outros países é e funciona bem.Bom f.s. passa lá por casa, precisamos de ti. bjs e ;)

Rui Martins disse...

Tudo isso seria possível. E esta uma área onde acredito que Sócrates vai intervir brevemente logo que assenta o poeirão levantado pelos lobbies que já incomodou.

A situação presente é escandalosa e só convêm às editoras que ganham rios de dinheiro e aos professores que servem de "consultores" e a quem alguns untam as mãos para escolher o manual B ou C.

Se a Educação é mesmo uma das vias para levantar Portugal da Crise (e é), moralizar, conter e racionalizar o mercado do livro escolar é imperativo e urgente e deve ser assunto prioritário para qualquer governo.

solarsoul disse...

Completamente de acordo, e mais eu frequentei uma escola profissional e não tánhamos livros, usavam-se fotocópias de vários manuais e incentivava-se a auto pesquisa na net e em bibliotecas o que é muito mais produtivo. Tenho dois irmãos mais novos e só em livros penso que foram 300 e tal euros, é de fcto um abuso sem fundamento.

Diana disse...

Olá
Existe um programa onde o estado fornece gratuitamente livros escolares usados, neles os alunos não podem escrever e no final do ano lectivo têm que os entregar em condições.
Todos os anos o meu pai inscreve o meu irmão de 9 anos e tem poupado dinheiro em livros.
Qd ele me disse nem queria acreditar que isso existisse neste país!!
Mas eu é que não soube antes, pois já tinha comprado os livros do 1º ano do meu filho.

Tenta-te informar junto das escolas dos teus filhotes, mas já sabes que se não insistires dizem-te logo que isso já não existe!
Passa a palavra porque é uma coisa que o próprio estado esconde do publico em geral, para que para os deles...

Espero ter ajudado
Diana
Rafael 6 anos e meio
Afonso 1 aninho

Anna^ disse...

Como eu te entendo Eva!!
Tal como em todos os departamentos deste país,é tudo uma luta constante de interesses...pelo manul A B ou C ou pelo autor X Y ou Z!

bjokas ":o)

AnaBond disse...

ai.... imagino o rombo no orçamento...

há muitas coisas que não entendo neste país, e essa é uma delas (e ainda nem passei por isso).

Tão só, um pai disse...

Muito bem, estamos todos de acordo, precisamos de fazer alguma coisa.

Os detractores duma política do manual escolar vão argumentar: "o mundo é dinâmico, o ensino quere-se dinâmico e, por isso, os manuais têm de o acompanhar".

E eu argumentaria: Dêm aos manuais uma estrutura de dossier actualizável anualmente, mas vigiando para que essas actualizações não sejam uma forma encapotada de vender outro manual".

As actualizações até deveriam estar disponíveis na internet. Download, CD, número limitado de impressões, loja de impressão e voilà, aí vem ela a cores. Problemas de copyright? Também se fotocopiam a cores.

Bom tema este, Eva. Parabéns.

Raquel V. disse...

E ainda por cima aquilo é com cada calhamaço!
Um peso imenso para os garotos e um excesso de papel q só visto, com a matéria a bailar pelas folhas!

Raquel V. disse...

PS: Por acaso tb me perguntei o que teria sucedido àquela política de os livros passarem de uns miúdos p os outros.

Carla O. disse...

Pois é Eva, tens toda a razão. Quando eu andava na escola, ainda conseguíamos que os livros passassem de irmãos... Agora está cada vez pior. :(
E eu ainda agora comecei, com a entrada do filhote para o 1º ano...
Já deixaram aqui ideias belíssmas!
beijinhos,
Carla e piscos