09 agosto 2005

Animais

Não, não vou falar de política. Sobre isso falarei, se me apetecer, quando vier a chuva.


Na caixa de comentários apareceu um pedido para escrever sobre o Cantinho de Animais de Viseu.
Creio que se enganaram na porta. A minha posição sobre estes "cantinhos" é diferente da tida como politicamente correcta. Mas como a tasca é minha, aqui coloco o meu pescoço para os fundamentalistas dos apregoados direitos dos animais, se poderem banquetear.

Nasci e passei a infância nas florestas das Terras do Demo, a tratar por tu as raposas e os lobos do Aquilino Ribeiro. Cresci rodeada de animais. Dediquei parte da minha vida profissional a contribuir para que os produtos alimentares de origem animal, sejam melhores e mais baratos.

Entendo a natureza como um SER perfeito, onde tudo e todos têm o seu lugar específico. Onde tudo está interligado. Os animais têm aqui lugar de destaque. Os racionais e os irracionais.


Gosto e sempre gostei dos bichos. Partilharam e partilham a minha vida, a minha família. Neste momento vivem connosco uma gata, dois peixes e um amster. Há um ano atrás havia também uma cadela, com quem convivemos onze anos. Todos os meus gatos e cães foram adoptados. Todos da raça mais nobre - rafeiros puros. Um dia, quando for grande, gostava de adoptar um cão Terra Nova. Um dia, talvez... algum leitor amigo mo ofereça.

Quanto aos cantinhos, reconheço o trabalho meritório, altruísta e desinteressado dos dirigentes, não creio é que resolvam coisa nenhuma.
Quando os animais são abandonados e recolhidos por estes cantinhos, ficam ali à espera de novos donos. Quando estes não aparecem ficam ali até ao fim da vida. Isto resolve o quê? Nada. Os animais estão fechados, em espaços pouco próprios, apáticos, à espera... da morte. Não têm qualquer utilidade. Não têm uma vida digna, apenas vegetam. Eu defendo o seu abate. Não faz sentido alimentar e medicamentar estes animais. é demasiado caro e nada útil.
Já estou a ouvir, em coro de fundo: a ti é que devíamos abater.
Não se preocupem, eu defendo a eutanásia.

Não, eu não gosto de touradas, mas também não gosto de boxe, e não vou fundar nenhuma liga de defesa de boxers.
Não é fácil ter animais no corre-corre do dia a dia. Enquanto pequenos são queriduchos, fofinhos e dão muito trabalho. Eles roem, rabunham, escavam tudo o que os rodeia. E fazem cócó e xixi, todos os dias! Quantos donos de cães conhecem que apanham o dito?
Não se pode ter animais por moda, por ser in, tem que se gostar mesmo deles. Por isso tantos são abandonados. Como resolver? Da mesma maneira que se resolve a sinistralidade nas estradas portuguesas - educação, educação, e mais educação. Até lá, o poder autárquico, com as receitas dos nossos impostos, tem o dever de manter canis municipais e abates dos animais abandonados.
Não é a oferta de um pacote de ração que resolve o problema. Isso não resolve, protela.



Já agora: eu gosto mesmo de bichos. De quatro e de duas patas!

15 comentários:

AnaBond disse...

(err.... aqui choveu hoje... vais falar de política?)

não sei se defendo o abate, mas concordo mesmo contigo... é claro que entre ter um bicho fechado num cantinho minúsculo.... tens razão.
mas pode ser que apareça alguém... não?

sou das que adooooora animais, sou das que abomiiiiiino touradas, sou das que apanho cagadelas, desculpa a expressão, sou das chatas mas não extremistas... mas não sei... digo que sim, mas digo que não...

não sei se me faço entender...

beijo

Rosa disse...

Para não variar também concordo plenamente com o que escreves. É preciso investir sobretudo na educação de quem tem ou pretende ter animais de estimação. Já estou farta de ser insultada por oferecer um saco de plástico a alguém prestes a fugir do presente deixado pelo seu cãozinho querido no passeio que é de todos.

Raquel V. disse...

A questão é saber se realmente eles não são adoptados...
É q uma amiga minha arranja donos para gatos como quem bebe copos de água...
Será que a abordagem não deveria de ser outra?

Beijinhos
:*

Rafael Carvalho disse...

O tipo do pedido:
eu concordo que é preciso deminuir o numero de cães em Portugal e a uma solução para isso, a solução ja foi encontrada pelo cantinho,ou seja, eles pedem sacos de rações as pessoas para que assim possam poupar o dinheiro que gastam em comida para fazer esterilizações/castrações diminuindo o numero de animais.
Quanto a estarem fechados, a pesar de não concordar, sou obrigado a aceitar, porque andarem na rua pode ser bem pior,ainda um outro dia um carçador querendo ver-se livre do cão disparou uma arma a poucos centrimos da cabeça deste, é por isso que peço que se reflita e que se tome consciencia que alguns destes animais não iram ser adoptados por isso vamos tentar darlhes a ajuda possivel nos ultimos tempos da sua vida.

O cão é fiel quando a tespestade, o Homem nem quando a vento...

Anna^ disse...

Lá diz o ditado:"De boas intenções anda o Inferno cheio"...só q em alguns casos isso por si só não chega...e este é um deles.
Parabéns pela frontalidade Eva...gostei!

bjokas ":o)

Carla O. disse...

E quem fala assim não é gago!
Eu tb adoro animais - tenho duas cadelas e ambas foram recolhidas por nós depois de abandonadas, uma delas fomos mesmo buscá-la ao canil municipal, porque o veterinário não conseguiu abatê-la dado a meiguice dela (e afinal é a mais maluca das 2).
Custa-me vê-los abandonados, mas tb tens razão quando lembras que ficar toda a vida num canil à espera... não é vida.
Deixaste-me a pensar.
Muitos beijinhos,
Carla e piscos

Tão só, um pai disse...

... mas não custa nada ajudar, pois não? Porquê matar? Hoje só ouvimos essa palavra, matar?

Eu, ia ficando debaixo de um combóio porque o desgraçado de um cachorro distraído andava a farejar a linha. Foi instintivo.

Empenhei-me até ao pescoço para permitir ao meu padrinho, já com 80 anos, que se tratasse do cancro, sabendo de antemão qual o fim esperado. Vou pagar isso durante os próximos sete anos.

A luta pela vida faz parte da nossa existência. Enfim. Um beijinho.

Raquel V. disse...

A menina anda muito preguiçosa...
Beijos

TMara disse...

é a tua posição e acab sendo a de toods, ao extremo, qnd nada + se pode fazer. A questão básca e fulcral (estrutural=???) é k a sociedade k criámos não é boa para nós muito menos para os animais (dito domesticados) se abandonados...sempre tive amigos de 4 patas a viver comigo e são (talvez) os melhores amigos k tenho ( o k retribuo) mas não posso apanhar toods os k andam abandonados, ninguém pode. mantê-los eternamente me cativeiro é umaoutra forma de mau-trato. Apoio, apoiarei, mas sei k há um limite. Bjs e ;)

Raquel V. disse...

A Tmara fala de algo que tb é uma verdade... animais que foram abandonados são os únicos que até aguentam o caiveiro... só q sem amor morrem depressa... Os outro safam-se bem (gatos, que podemos vê.los gordinhos) e se em cativeiro não se aguentam.
A solução também passaria por torná-los incapazes de procriar.
Quantos de nós não conhecemos a gatita da rua x que passa a vida a ter filhotes?
Essa seria super infeliz enfiada num canil mas sabe sobreviver na rua. Porque não uma operação? Já soube de gente que, podendo, o faz.



Beijocas

Anna^ disse...

Passei pra deixar uma bjoka;
espero q esteja tudo bem!
Já tenho saudades pá! :)))

Anna^ disse...

Bom fim de semana ó desaparecida em combate :P

bjokas grandes ":o)

Raquel V. disse...

Beijinho de fim de semana...**

Rui Martins disse...

Ainda ontem vi um cão de raça (penso que seria um Terrier) abandonado na avenida de Roma. Estava tosquiado e bem alimentado, mas ou estava perdido (pouco provável) ou fora abandonado para férias (mais provável)...

Anónimo disse...
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