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07 julho 2011

O verdadeiro valor do dinheiro

Não vou discorrer sobre rating, Moody's e que tais, vou apenas explicar o verdadeiro valor de 0,05€.


Hoje apeteceu-me comprar um livro. Claro que fiz contas de cabeça, pró que me havia de dar logo hoje, dia de corte de rating, mas como tinha um cheque prenda da Fnac, resolvi atirar-me de cabeça.
A oferta é grande, muitos livros que quero realmente ter/ler, por onde escolher?
O último do José Eduardo Agualusa era a primeira escolha,  desde a descoberta d' O Vendedor de Passados que papo tudo para trás e para a frente.
Mas depois estava ali escarrapachado na prateleira aquele, a olhar para mim e a tilintar, a lembrar-me o puto dos óculos daquele programa das produções. Fiz pim, pam pum e houve empate. Olhei para o preço e... zás, decisão tomada, o do puto era mais barato 0,05€.


Se não gostar vou reclamar, ai vou, vou.
ps: não vou reclamar. O livro é muito interessante. A estória está bem esgalhada (parafraseando o autor), a escrita é fluente e atraente. Abusa um pouco de clichés, por vezes desnecessários. Valeu todos os cêntimos dos 14,95€

20 julho 2010

Será?

A velhice não nos dá nenhuma sabedoria, simplesmente autoriza outras loucuras.

Mia Couto in A Varanda do Frangipani

18 junho 2010

Obrigada José


Obrigada pelos momentos de prazer, obrigada pela Blimunda,pelas polémicas acesas.
Boa viagem.

12 maio 2010

Livros

Nestes cinco anos de blog tenho aqui falado de tudo, assuntos banais, do meu dia a dia, do meu espanto permanente pela vida. Das coisas importantes, das embirrações e das paixões da minha vida.
De livros tenho falado pouco embora a leitura seja uma das minhas paixões. Sou leitora compulsiva, leio tudo, até as bulas de medicamentos. Uso carteiras grandes porque tenha lá sempre um livro e um caderninho. Tenho sempre vários livros em leitura- um ou dois na mesinha de cabeceira, outro na carteira, outro na cozinha. Leio em qualquer lugar, do WC à cadeira do dentista, se me deixar em espera.
Compro  (ai o rombo no orçamento), peço emprestado, de bibliotecas (a de Viseu é bem fraquinha) e perco-me em alfarrabistas. Marcha tudo, até os policiais a que faltam folhas. No estrangeiro tenho preferência por traduções de autores portugueses, assim adquiri Os Lusíadas, um Aquilino e dois Namora.

Vem isto a propósito dum livro velhinho -edição de 1959, que tenho há bastantes anos e de que gosto bastante. Contos ciganos recolhidos na Boémia nos anos 50. Segundo a autora  - Marie Voříšková, os ciganos não contam histórias às crianças em particular mas sentam famílias inteiras e contam histórias antigas.
Foram estas histórias orais que ela compilou e editou em livro dando-lhe o título Histórias Ciganas.

Em tradução não muito cuidada deixo aqui a primeira deste livro de quinze histórias.




Histórias Ciganas


A criação do mundo ou como os ciganos perderam a sua pátria


Quando Deus criou o mundo - tão simples como uma criança sopra uma bola de sabão, não criou só um. Como o sete é o número divino, soprou sete balões celestiais.

Depois colocou estes sete mundos em fila, uns em cima dos outros, como andares dum prédio, separou-os entre si com abóbadas celestiais e amparou-os com montanhas altíssimas, para não caírem.

Estes mundos acabados de criar estavam ainda inacabados. Tudo neles era vivo, mexia crescia, até as pedras e as montanhas.E assim aconteceu que uma grande montanha, sobre a qual assentava uma abóbada celestial, continuou a crescer , devagar mas sem parar, até furar a abóbada.

Passado um tempo Deus deu conta que a sua abóbada tinha uns furitos aqui e ali, e apercebeu-se que precisava de reparações mas como eram tempos intensos de criação dos seres vivos - animais e plantas, não tinha mãos a medir e foi adiando a reparação dos buracos da sua abóbada celestial.

O primeiro destes mundos, o que ficou mais abaixo, foi o mais conseguido por Deus nosso senhor. Calhou ser aquele o nosso mundo. Deus gostou tanto dele que decidiu instalar-se no céu por cima dele. Por isso fez o céu sobre o nosso mundo baixo, para não Lhe ficar longe nas suas idas e vindas constantes cá baixo para ver como tudo florescia e crescia alegremente.

Naquele tempo o céu sobre a Terra estava tão baixo, que bastava esticar o braço para se tocar nas nuvens. As rochas e penedos eram tão macios que as pessoas, embora andassem descalças, não magoavam os pés. Todos os povos eram ricos e tinham terras.

Deus deu a cada povo uma pátria. Os ciganos tinham a sua pátria que era linda e rica. A terra era fértil e tudo nela crescia abundantemente não sendo preciso trabalhar muito. Embora fosse necessário , aqui e ali, meter a mão na massa e os ciganos gostassem muito de mandriar. Não lhes apetecia fazer nem aquele pouquinho necessário. O Nosso Senhor ficava muito triste com isso e frequentemente, a quando das Suas descidas à terra, ralhava-lhes:

„Sois tão preguiçosos“ dizia-lhes, „que nem vos lavais! Olhem bem para vocês como estão sujos.“
„Isto não é sujidade,“ desculpavam-se os ciganos, „é a pele escura que nos destes.“
„Vão ao rio lavar-se e ficarão bem mais claros!“ aconselhava Deus. Mas os ciganos não foram lavar-se e quando a sujidade formou crostas que provocaram comichão até para se coçar tiveram preguiça.
Quando Deus viu tamanha moleza zangou-se e, para os castigar, criou as moscas, melgas e mosquitos.”Isto vai obrigá-los a levantar o braço para se coçarem e enxotar os insectos!” pensou.
Ajudou um pouco, mas não muito. Os ciganos continuaram a mandriar.

Num daqueles dias em que Deus desceu à terra para observar a Sua criação, encontrou uma cigana meio nua deitada debaixo duma figueira, com o filho pequeno. Ao ouvir passos a mulher levantou lentamente a cabeça para ver quem passava e, ao ver quem era, cumprimentou o Senhor mas não se levantou.

Aborrecido e de sobrancelhas franzidas seguiu adiante sem nada dizer até sentir um cheiro intenso. Volta atrás e repara na criança toda borrada. Pára e vocifera: “Não podes limpar um pouco esse menino? Não vês o que aconteceu?”

A cigana respondeu-lhe a rir. “Isto não é nada, está sempre a acontecer, já está habituado. Não posso estar sempre de plantão a limpá-lo.”

“Limpa imediatamente essa criança!” gritou Deus. “É uma vergonha, uma mãe deixar o seu próprio filho nesta imundice!”
A cigana levantou-se de má vontade e procurou algo com que pudesse limpar o miúdo. As folhas da figueira estavam muito altas, seria preciso saltar ou trepar e isso era um esforço grande. Então reparou numa nuvem muito branquinha a deslizar suavemente no céu baixinho, mesmo por cima da sua cabeça. Parecia mesmo uma fralda. A cigana levantou a mão, rasgou um pedaço de nuvem e limpou com ela o rabo do miúdo.
O nosso Senhor Deus nem queria acreditar no que via e gritou enraivecido:

“Seus preguiçosos, é assim que vocês ciganos usam as minhas nuvens? Como ficaria o céu se toda a gente fizesse o mesmo? E se encostar o meu manto divino a uma nuvem dessas? Estou farto de vós! Saiam daqui e vão vaguear pelo mundo até aprenderem a trabalhar e a respeitar o trabalho dos outros!”
E foi graças àquela cigana preguiçosa, que os ciganos perderam a sua pátria. Deus expulsou-os da terra que lhes tinha dado e deu-a a outro povo. E como toda a terra já estava atribuída, os ciganos foram obrigados a  andar de terra em terra à procura dum lugar de onde ninguém os expulsasse. Uma terra sem dono.
Muitos ainda hoje a procuram.

Cikánské pohádky – Marie Voříšková

editora Mladá Fronta – 1959

12 setembro 2009

Lá vamos nós, outra vez


Comprar livros escolares, cada vez mais caros, a maioria emprestados (a custo "obrigada amiga"),reuniões de escolas, de pais, atl's, conciliar horários, aturar pais avestruzes, encapar livros, lavar roupa das férias, dobrar, passar, lavar outra vez, dobrar, passar e esperar que a máquina não entre em greve. Fazer turnos na Feira, consultar as entradas do filho grande, preparar roupas para o início da escola dos pequenos, candidatar o grande a residência estudantil (o mal de não viver nas metrópoles) e... fazer contas, muitas contas.

As férias acabaram e terça-feira começo num novo emprego.







ps2viciei-me e já vou a meio do

25 julho 2008

Leituras


Não ter tv intensifica o prazer da leitura. Quem não sabe ler, vê as figuras....

21 julho 2008

14 maio 2008

Actrizes

 
Posted by Picasa

Já por aqui tinha falado de algumas actividades das escolas dos filhos mais novos.Uma de que ainda não falei foi uma peça de teatro, inteiramente feita por mães e filhas. O Zé das Moscas, história do António Torrado.
Apresentámos a peça, na escola da Teresa, há um mês atrás. Correu bastante bem, e fomos convidadas para a apresentar na sede do Agrupamento de Escolas para os alunos mais velhos e, pasme-se, com a presença do autor.

Como a foto não deixa mentir- até com os seus aplausos.

Vou ali limpar a baba....

04 maio 2008

Falta de chá

Fiquei a saber pela Ler que António Lobo Antunes nunca leu nenhum livro de José Saramago. Segundo consta (sem confirmação oficial) o contrário também é verdade.
Custa-me um pouco a acreditar - vaidosos como poucos, que não se leiam às escondidas...



Eu, leitora fiel e apaixonada de ambos, fico triste. A escrita fina de Lobo Antunes encantou-me durante anos, os livros recentes nem tanto. De Saramago adoro a imaginação e, sempre que termino mais um livro fica-me a pergunta: onde vai ele buscar a inspiração?

25 novembro 2007

Com pantufas novas

um pequeno intervalo.Chegou a minha vez, depois dos filhos grandes, claro.
Até já.



12 novembro 2007

Correntes

O Rui pediu com jeitinho.
Sem jeito desafio a Pandora, a Ana, a Alexandra e o AJ

As regras do jogo são: pegar no livro que está mais próximo, abrir na página 161 e transcrever a quinta frase completa dessa página.

" - Ah! Cumpras... hã... muitos! - disse, apertando-me a mão. - Trouxe-te... hã... uma... hã... pequena... recordação... um presente... para... hã... comemorar a ocasião...hum. Ao abrir o embrulho, fiquei encantado por ver que continha um grosso volume intitulado Vida nos charcos e ribeiros. "

A minha família e outros animais - Gerald Durrell

Embora não parecendo é um livro delicioso e hilariante do famoso zoólogo e fundador do zoo de Jersey. Irmão do outro não menos famoso e escritor Lawrence.

07 novembro 2007

Leituras

Desde os fins de Agosto que arrasto este livro comigo.
Já ultrapassei a página 400 e, nos intervalos, já li um policial do Perry Mason, outro do Francisco J. Viegas
e comecei a reler A minha família e outros animais.

Porque me está a ser moroso ler? O livro não é mau, tem muita informação histórica, uma trama amorosa consistente... verosímil.
Já li livros maiores duma assentada (Guerra e Paz, Os Miseráveis)

Só lhe encontro um defeito: é chato, muito chato.
Dá-me sono.

11 julho 2007

Teodora

A fada Teodora é a nova "mania" de leitura da Teresa. Confesso que li apenas na diagonal e não desgostei. Ela já devorou três e, à falta do 4º, lançou-se ao Harry Potter - A Pedra Filosofal.
Temos leitora!

09 julho 2007

Leitura acompanhada

" Efectivamente. Partilhou o prémio (Nobel) com Sadat e foi um dos dados que me revelou que a história tem moral, ao contrário do que pensavam alguns puristas de esquerda, quando eu estudava para ser de esquerda. A história sem moral. Não, não é verdade. O que separa um terrorista dum Prémio Nobel da Paz é o que separa a derrota da vitória. Se o terrorista perde, será um miserável terrorista para sempre; mas se vence, transformar-se-á num estadista e, por que não, num prémio Nobel da Paz.
- Foi sempre assim, meu caro senhor. Não há combatente pelas armas que não seja um criminoso objectivo, mas se vence transforma-se num elemento social positivo."

Manuel Vazquez Montalbán - Milénio I - série Pepe Carvalho -ASA edições pg83



Um doce a quem identificar o personagem




11 junho 2007

A propósito do Dia de Camões














As armas e os barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;






A propósito de Camões, tenho este tesouro na minha biblioteca:

Os Lusíadas em checo - Lusovci.

Uma edição única, de 1958, que encontrei num alfarrabista de Praga, nos anos oitenta.
Tradução de Zdeněk Hampejs, ilustração (bonita) de Miloslav Troup e verteu em verso Kamil Bednař





















Luíz de Camões e ilustração do Canto X




08 março 2007

80 - Gabo - 80

Descobri-o em 1978. Reza a data, a caneta preta na contra capa, 31/8/78.
Um pequeno livro de bolso da europa américa, o nº 132 da dita colecção.
Não sei porque comprei exactamente este livro, encolhendo com isso a pequeníssima mesada possível.
Apaixonei-me. Reli vezes sem conta o pasmar perante o gelo, as aventuras de Aureliano em terras de Macondo. O livro esteve desfeito, com capa arrancada, valeu-me um encadernador reformado que mo reencapou a verde, com letras doiradas. O doirado está a desaparecer, o verde está água, as letras perduram. A filhota maior já o leu e gostou.

Um dos livros da minha vida. Já com história e muitas estórias


Segundo a Wikipédia só fará 80 anos em 2008, vá lá confiar-se nos jornalistas...

28 fevereiro 2007

Ainda MEC

Afinal o casamento é a maior ajuda que se pode receber. Passa-se a pertencer. E, em troca, passa-se a possuir. A pertencer e a possuir mesmo. Fica-se, por troca, sossegadamente apropriado e violentamente proprietário.
Não me venham com modernismos de meia-tijela*, liberalices sem fundamente humano, tretas de quem não ama, de quem não aspira ser de outro, amado, que nos ama. Casar é trocar. Casar é trocar a liberdade podre, que é a de cada um, pela posse rica, de é a de quem se quer. E casando se passa a ter, absolutamente, por vontade de quem se dá e de quem recebe.
*o erro (meia-tigela) está assim no livro que eu paguei!!! O revisor precisa de explicações...