Na escolinha do Alexandre há dois meninos bastante violentos. Um tem três (3!) anos, o outro cinco.
O meu piolho começou por dizer: "o Jorgi é mau, dá tau-tau no Alex", no dia seguinte pegou num pau e disse que era para dar tau-tau no Jorgi.
Perguntei às educadoras e fiquei de queixo caído com a resposta. Sim é verdade, o Jorge bate em toda a gente: nos meninos, nas funcionárias e educadoras, quando lhe ralham diz que vai dizer ao pai. Nunca o conseguem sentar ou convencê-lo a participar nas actividades.Quando colocaram a questão à mãe ela disse que em casa também é assim e riu-se.
Hoje quando o levei ao infantário encontrei-me com a tal mãe a levar o "famoso" filho e pus a questão em frente da educadora e duma funcionária: "então tu é que és o Jorge, o Alexandre queixa-se que tu lhe bates?!" - Resposta pronta da mãe: "Pois, ele é muito activo!"
Trocámos olhares incrédulos com as educadoras. A educadora mais velha foi mais rápida a reagir informando a mãe que já tinha dado autorização aos meninos para se defenderem das agressões.
"Façam com entenderem" resmungou com ar ofendido e virou costas.
Ouço frequentemente às minhas amigas professoras que os miúdos estão cada vez mais mal educados e violentos. Entre eles e com os adultos.
Cada vez me parece mais que estamos a educar uma geração de ditadores. A geração dos filhos únicos, prepotentes, controladores. Interrogo-me sobre o porquê e, muito sinceramente, creio que a culpa é nossa, dos pais, das mães. Somos desculpadores, permissivos, vivemos em função da criança (muitas vezes única e tão desejada) e anulamo-nos como seres adultos conscientes. Tornámo-nos crianço-dependentes.
Desculpamo-nos com o trabalho excessivo e falta de tempo para fugirmos à nossa responsabilidade fundamental: educar os nossos filhos para a responsabilidade, para viver com os outros e não por cima dos outros.
Dizer NÃO pode ser a maior prova de amor.