Não gosto da Páscoa. Nunca gostei.
Filha de pais muito religiosos, este era o tempo das intermináveis vias sacras, do jejum.
Era proibido isto e aquilo, obrigatório rezar o terço diariamente.
O dia de Páscoa era para mim um suplício. O padre da aldeia (nas
Terras do Demo) percorria, com o sacristão, todas as casas onde era obrigatório beijar os pés dum Cristo na cruz. A imagem de todas aquelas pessoas a babarem-se em cima daquela cruz, que eu era obrigada a beijar vezes sem conta, em todas as casas dos familiares chegados e afastados, ainda hoje me arrepia.
Nem o salpicão, a broa e o pão de ló, comidos a seguir, me sabiam bem.
Também não atino com o coelho que dá ovos.
Desta tradição gosto dos ovos (kraslice) e desgosto da pomlázka.